O dia em que Chaplin me escolheu
Eu já havia pensado em ter um cachorro. Mas nunca levei a coisa muito a sério, porque moro sozinho, porque trabalho, porque faço faculdade, porque é caro ter cachorro, porque... etc.
Mas acabei tentando encontrar um novo cãozinho para minha namorada que havia perdido sua cadelinha havia pouco tempo. É foto daqui, visita dali, email acolá e muitas, muitos, muitos pretendentes.
Quando finalmente decidi que havia encontrado a cachorra mais fofinha do universo a tal da 'dona' do cachorro (na verdade é mais uma cuidadora, já que encontrou a bichana na rua) era meio doida. Primeiro disse que eu poderia buscar o cachorro dali a dois dias. Depois uma semana. Depois descobrimos que a cachorra, com 6 meses de idade, ainda não tinha sido vacinada nem castrada (há uma lei em na cidade de São Paulo que diz que todo cachorro que será doado deve ter sido vacinado e castrado antes da entrega ao novo dono).
Como se isso fosse pouco a tal da dona resolveu que a minha namorada precisava reformar a casa(?!?!?!), antes de adotar. Discussões aqui e ali e decidiu-se que não iríamos arriscar com a tal dona maluca.
Mas o vírus canino já estava em mim. E duas semanas depois eu ainda me pegava pensando em ter um cachorro. Foi então que acordei e num repente dei a notícia à minha namorada:
Vou adotar um cachorro, hoje!
Levantamos e saímos em busca de um cão para adotar. Fomos até uma Cobasi (um pet shop gigante) aqui de São Paulo e vi um cãozinho que quase me arrebatou, mas ainda não era aquele. Quando estava saindo da loja um amigo me ligou e, sabendo da novidade, resolveu ir junto conosco para ver que cachorro seria adotado.
Em Osasco (cidade próxima a São Paulo) também havia uma Cobasi. E lá havia algumas 'gaiolinhas' com cachorros, e tinha um dormindo com cara de coitado. Passei a mão e ele acordou. Me lambeu. Chorou.
Pronto.
Não tinha mais o que escolher. Então a antiga dona nos disse, depois de uma breve entrevista para checar se eu não seria um psicopata ou algo do gênero (ok, ok, na verdade era pra ter certeza que o bichano não voltaria pra rua, mas me pareceu estranho, ainda assim), que precisávamos escolher o nome naquele momento, pois precisaríamos colocar uma coleirinha com identificação no cão para adotá-lo.
Olhei para o cão e ele com uma cara de coitado. Algo como 'me salva, preciso muito de você'. Então disse ao meu amigo e namorada (não são a mesma pessoa, ok?! rsrsrs): "Ele tem cara de coitado, que personagem tem cara de coitado?"
ChaplinPronto. Estava escolhido o nome dele.
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| Da esquerda pra direita: Meu amigo, Eu, Minha Namorada e a antiga dona do Chaplin, no dia da doação |

Meu marido e eu encontramos o Chaplin (antigo Colleman) na rua, em nosso bairro em Osasco. Ele estava muito magro, com a pata machucada, com muito medo e muita sarna... no dia do resgate, uma mulher que vende caldo de cana estava dando um banho de óleo queimado no bichinho, para ajudar com a sarna... só de olhar me deu arrepios e o levei para casa. Foram 3 banhos para o óleo começar a sair e depois de 3 injeções de ivomec a sarna foi embora, os pelos cresceram e ele ficou todo fofo...
Ficamos 3 meses com ele em casa e é claro que nos apaixonamos por esse pretinho, mas não podiamos ficar com ele porque somos apenas protetores e já temos muitos cães nossos.
Sei que fazemos muitas perguntas na hora da adoção, mas é por pura precaução, porque esses bichinhos são MUITO importantes para nós, muito mesmo... e principalmente, porque muitos cães doados infelizmente voltam para as ruas ou são maltratados, o que não é o caso do Chaplin, claro.
Eu espero que ele traga muita alegria para a vida do Victor e da Renata. Mas espero mais ainda, que o Chaplin tenha uma vida longa, feliz e cheia de mimos, para compensar todo o sofrimento que já teve nas ruas.
Deus abençoe vocês e que sirvam de exemplo para outras pessoas entenderem como a adoção é importante.
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